domingo, 13 de dezembro de 2009

O fim de um ciclo... A esperança de um novo começo!

Final de 2003, lembro-me como se fosse hoje, o local era o antigo Clube dos Telegrafistas do Brasil. Era um domingo, fim de tarde, estava calor. Estava cantando, sozinho, próximo ao bar. Fui interrompido, não gostei. Mas, mau sabia que aquela interrupção seria o começo de um longo ciclo. Uma senhora, Emília, era da diretoria. Me viu cantar e gostou, fez-me um pergunta que não me esqueço até hoje: "quer ser nosso cantor ?". Dez anos de idade, mau entendi a pergunta. Respondi que sim. Minutos depois, lá estava eu. Em cima do palco, esperando pra poder cantar. Quando me deram o microfone, travei. Vergonha do povo que me via, parecia que nunca tinha visto tanta gente. A primeira sensação, você estranha. Todos olham pra você com cara de espanto, outros riem, outros dão força. Cantei. Era um samba enredo, um dos inesquecíveis. Como pudera uma criança de dez anos saber cantar "Aquarela Brasileira" de ponta a cabeça, e ainda imitar os cacos do cantor? Era novo, engraçado. Doía os ouvidos, a voz aguda. Primeira vez, nunca esquecemos. E foi assim que tudo começou. Essa é a história do ex-cantor da Nova Geração.
Eu não sabia nada de canto, nunca tinha ouvido falar em tom. Antes desfilava de destaque de carros alegóricos. Como me empolguei. Era um cantor, e de escola de samba. O samba da escola era muito bom. Ensaios eram todos os domingos e quartas-feiras. Ecinho do Cavaco que me encinou o que era tom, comecei a cantar. Aprendi nessa epóca quase todos os sambas para o carnaval 2004. Enpenhei-me. Queria crescer. Sabia que podia, e chegaria a ser o cantor principal. Não demoraria muito, e eu estaria lá. E aconteceu.
Fim de 2007, já tinha crescido. Cresci não muito, musicalmente, todos dizem cresci bastante. Mudam o regulamento da AESM-Rio, e saí o cantor. nada é decidido, eu era a bola da vez. Contratariam alguém de fora, ou seria o começo da realização do meu sonho? Era meu sonho.
Nesse período fui empossado, como gostei. Estudei algum tempo pra chegar até esse cargo, dali me tirar, nem em pensamento. Sapucaí, que emoção. Foi lindo o desfile, emocionante. Ao acabar, no fim do carnaval: prêmio. Melhor Carro de Som da Passarela. Como gostei.
Tinha que continuar, estudando. Tinha que peserverar.
2009. É chegado o carnaval. O samba, não muito bom. Mas era cantável. E cantei, como cantei. O samba fluiu, a escola passou, a bateria arrepiou. Quando acabou. Feliz da vida fui comprimentar a todos. Muitos votos de parabéns. Passou o carnaval, e o que recebi: prêmio. Estandarte Mirim de Melhor Intérprete de 2009. Que gratificação.
Quem poderia imaginar, que aquela criança lá de trás que começou desafinado, e com a voz aguda, chegaria a esse ponto. Eu sabia. Eu lutei. E eu consegui.
Oito anos de cantor, dez anos na mesma escola. Jamais desfilar em outra. Convites? vários, mas nunca traí a minha raiz. Esse foi um dos meus erros.
O desgaste natural do tempo, veio a aparecer. Desavenças e constrangimentos também. Foi escolhido o samba, o pior da disputa, por apenas "capricho" de algumas pessoas. Fiquei louco. Esse foi outro dos meus erros.
Depois daí, nada foi andando bem. Tudo começou a desandar, trabalhar como antes? impossível. Foi acabando.
E "in"felizmente... Acabou.
No último dia primeiro, depois dessa longa história de vida, pedi desligamento. O sucesso e a vaidade foi demais para alguns. O destratamento foi total. E ainda queriam fazer com que eu ficasse, para me colocarem pra correr como se eu tivesse errado. Fui mais esperto.
Saí, sem rancores, com sentimento de dever cumprido. Gosto de todos. Bons momentos vivi lá. Desejo boa sorte.
De tudo, uma coisa é certa. Jamais peite seu superior, pois poderá se comprometer futuramente.


Abraços do Santos!

Um comentário:

Paulo Henrique Pereira disse...

Rapaz se eu já te admirava passei a admirar ainda mais.
Sou teu fã de verdade. Conte sempre comigo onde estiver.