"Há de vir um negro Rei, para purificar, nossa libertação nas Águas de Oxalá"!
E assim eu começo essa matéria que vai dar o que falar!
Podemos ir nos anais da história do nosso queridíssimo mundo do samba, e vamos ver que há dezenas de sambas afros. Sambas que mexem com agente, que tocam, sambas que arrepiam, para o Iaô, uma saudação ao seu orixá, para nossa Mãe do Samba, um canto de fé...
Os Sambas Afros são inexplicáveis. Comecemos pelas Sinopses, se pegarmos uma sinopse de um enredo Afro, místico, como quiserem, teremos uma história, lendas da nossa velha África cançada de glórias, teremos histórias, que se pegarmos e juntarmos vários fatos, mexem com a cabeça da gente e nos faz ter aquela famosa pergunta "E por que não?".
De 2000 á 2008, entre o Carnaval de Rio e São Paulo, podemos tirar grandes sambas afros, sambas de melodia e letra fantáscas. Há quem diga que os compositores são abençoados pelos seus orixás regentes na hora de compor, e eu não duvido nada. Até por que hoje, no mundo do samba, muitos são das religiões Afro-descendentes, eu mesmo sou um desses.
"Agúdas", famosissímo samba, belíssima sinopse do meu Mestre Milton Cunha, uma história que conta a saga dos negros que vieram da África para o Brasil, e voltaram para a África levando o Brasil no Coração.
"A Saga do Agotime", Beija Flor de Nilópolis, com a grande passagem da criação da Casa das Minas, primeira casa de culto aos voduns em São Luis do Maranhão.
E por ai vai, temos dezenas de sambas, muitos consagrados que já foram reeditados. As Escolas Mirins também já fizeram sambas afros: Inocentes da Caprichosos (2004) - Festa de Erê e Golfinhos da Guanabara (2005 ou 2006 - não me lembro), Erê Odara.
Com isso, vai aumentando o número, o Brasil e o Mundo vão conhecendo histórias, que muitas delas só mesmo dentro de uma casa de Candomblé se sabe.
Cultura Afro-Brasileira, vai nascendo, e a "jovem-guarda" apenas ganhando mais cultura e cultura. Que após da Educação é fundamental.
Vamos à uma pequena linha do tempo de sambas afros:
1969 - Bahia de Todos os Deuses - Academicos do Salgueiro (Reeditado em 2006 pela Tradição) Campeão
1972 - Ilu Aye - Terra da Vida - Portela
1974 - Lendas e Festas das Yabás - União da Ilha do Governador - Campeão
1976 - Mar Baiano em Noite de Gala - Unidos de Lucas (Reeditado em 2005, pela própria escola)
1976 - Arte Negra na Legendária Bahia - Estácio de Sá (Reeditado em 2005, pela própria escola)
1978 - A Criação do Mundo na Tradição Nagô - Beija Flor de Nilópolis - Campeão
1980 - O Que a Bahia tem - Imperatriz - Campeão
1984 - Contos de Areia - Portela - Campeão
1984 - Oferendas - Unidos da Ponte
1988 - Kizomba, A Festa da Raça - Unidos de Vila Isabel - Campeão
1988 - Cem Anos de Liberdade, Realidade ou ilusão - Mangueira
1992 - Águas Claras para um Rei Negro - Grande Rio - Campeão
1994 - Os Santos que a África não viu - Grande Rio
1998 - Fatumbi - União da Ilha
2001 - A Saga do Agotime - Beija Flor
2003 - Agudás - Unidos da Tijuca
2006 - Cubango
2007 - Candaces - Salgueiro
2007 - Áfricas, Do Verço Real a Corte Brasiliana - Beija Flor - Campeão
2008 - No reino das águas de Olokum - Unidos de Padre Miguel
2008 - Ewe, a Cura vem da Floresta - Inocentes de Belford Roxo - Campeão
2009 - Vira-Bahia, Pura Energia
2009 - Afoxé - Cubango - (Reedição de 1979, quando foi campeão)
Recomendo a audição dos Sambas Destacados, viagem nas letras e na melodia. Salve as raizes afros, Salve os Orixás, que nos dão sabedoria, saúde, e tudo que temos.
Olorum que nos abençoe, mande-nos buscar não só o bio-combustível, mas sim sabedoria para cuidar das matas, para protegermos o planeta, tentar salvar o mundo.
Ele pode tudo, é o nosso soberano!
Epa-Babá!
Abraços do Santos !
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
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Um comentário:
O enredo de 2009 do Salgueiro - Tambores - Também pode ser considerado um enredo afro. Abraços
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